
O Sistema Comércio BA, através da Fecomércio BA, prevê perspectivas positivas para o varejo baiano em maio, mês do Dia das Mães, principal data comemorativa do comércio no primeiro semestre. A expectativa é de faturamento de R$ 15,2 bilhões para os setores relacionados à data — excluindo vendas de veículos e materiais de construção. Esse valor representa um crescimento real de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, que teve vendas estáveis.
Das seis atividades analisadas, três devem apresentar desempenho positivo, enquanto as demais tendem a registrar retração. A principal diferença entre os segmentos está na sensibilidade ao crédito. Assim, os setores de consumo básico devem se destacar, como farmácias e perfumarias, com crescimento estimado de 8%, e supermercados, com alta prevista de 4%.
“Esses dois segmentos possuem dinâmicas distintas no período. No caso de farmácias e perfumarias, o impulso vem da busca por presentes, como perfumes, maquiagens e produtos de cuidados pessoais. Já os supermercados se beneficiam do aumento na demanda por alimentos e bebidas para celebrações familiares no segundo domingo de maio”, destaca o consultor econômico do Sistema Comércio BA, Guilherme Dietze.
Também com desempenho positivo está o grupo “outras atividades”. Embora inclua a venda de combustíveis, esse segmento reúne diversos setores relacionados à data, como joalherias, lojas de chocolates, artigos esportivos, entre outros. A expectativa é de crescimento expressivo, também na ordem de 8% na comparação anual.
Em contrapartida, setores mais dependentes de crédito devem enfrentar retração, como lojas de móveis e decoração (-9%), vestuário, tecidos e calçados (-5%) e eletrodomésticos e eletrônicos (-4%). Trata-se de produtos de maior valor agregado, cujo consumo é mais sensível ao nível das taxas de juros, atualmente elevadas.
Entretanto, o consultor econômico da Fecomércio BA, Guilherme Dietze, pontua que, de forma geral, o varejo baiano deve apresentar saldo positivo, influenciado pelo ganho real de renda dos trabalhadores nos últimos anos, impulsionado por um mercado de trabalho aquecido.
“Além disso, a proximidade da data com o período habitual de pagamento de salários tende a favorecer as decisões de compra. Por outro lado, é importante considerar que o mês de abril contou com diversos feriados, o que pode ter comprometido parte da renda disponível para as compras do Dia das Mães, além do desafio recente da inflação em alimentação e combustíveis”, esclarece o consultor.
Ainda assim, mesmo diante dos desafios enfrentados ao longo do ano, o cenário para a principal data do comércio no primeiro semestre é visto com otimismo, especialmente em relação a decisões empresariais sobre contratações, formação de estoques e investimentos.










