
Salvador articula a criação de um Complexo Econômico e Industrial da Saúde (CEIS). A iniciativa visa integrar academia, poder público e iniciativa privada, com o objetivo de transformar a cidade em um polo de inovação, tecnologia e produção médica. A Prefeitura de Salvador e o Senai Cimatec conduzem estudos específicos para a estruturação e atração de novos negócios.
A diretora de Desenvolvimento Econômico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (Semdec), Luciana Buck, pontuou que o momento atual é de desenho de estratégias e expansão de parcerias para viabilizar o ecossistema. “Tem sido uma corrente em que um vai dando a mão ao outro e essa rede está crescendo. Para termos sucesso e criar este complexo, temos que unir serviços, tecnologia e equipamentos médicos, envolvendo ativamente o governo, o setor privado e a academia”, afirmou.
Fundador da Solvum e presidente da Associação Baiana de Startups (ABAS), Mateus Couto afirmou que a cidade pode ser referência global na gestão de processos de saúde. Para ele, a implantação do complexo é um dos maiores planos para alavancar a escalabilidade tecnológica de forma rápida na região.
O ambiente favorável aos negócios já se reflete no interesse prático de expansão de indústrias nacionais. Yuri Crispim, diretor industrial da MSB Medical System do Brasil, empresa atuante na criação de dispositivos inovadores para cirurgias, revelou que a meta do setor deve ser internalizar processos para reduzir a dependência de importações. Diante do potencial da cidade, ele revelou planos de investimento na capital baiana. “Estamos querendo expandir para Salvador, com maquinário e tecnologia, para contribuir diretamente com a criação do complexo econômico da saúde local”, afirmou Crispim.
Qualificação – Para dar suporte ao interesse industrial, a qualificação dos profissionais é um pilar inegociável. Segundo Tatiana Nery, gerente executiva de Negócios de Saúde e Biotecnologia do Senai Cimatec, o Brasil superou grande parte de sua dependência científica, mas há uma necessidade urgente: a formação precisa acompanhar as demandas reais do mercado. Apenas assim a indústria local poderá concorrer com gigantes internacionais, como a China.
“Para atrair para Salvador, é preciso mostrar o que a cidade tem a oferecer. Seus diferenciais passam por mostrar a capacidade dos entes públicos e acadêmicos de ter qualificação de mão de obra, além de estrutura para quem vier para cá”, avaliou o economista e coordenador do Observatório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Thobias Silva.












