Recompra da Refinaria de Mataripe pela Petrobras volta a ser discutida após forte alta dos combustíveis pela Acelen

Redação
23/03/2026 12:00
Foto: Divulgação Acelen

O presidente Lula voltou a sinalizar a intenção de recompra da Refinaria de Mataripe, na Região Metropolitana de Salvador, pela Petrobras. A antiga Landulpho Alves foi vendida em 2021 para a Acelen, que pertence ao fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos. O assunto voltou ao debate após a guerra no Oriente Médio, que gerou uma forte elevação nos preços dos combustíveis pela refinaria privada, localizada em São Francisco do Conde.

Apenas neste mês, a Acelen aumentou o valor do diesel em 72%, enquanto a gasolina subiu 46%. Já nas refinarias da Petrobras, o reajuste foi de 11,6% no diesel. Já a gasolina, não teve qualquer aumento na estatal.

“Eles venderam a refinaria da Bahia, nós vamos comprar de volta. Pode demorar um pouco, mas nós vamos comprar”, declarou o presidente, ao lado da presidente da estatal, Magda Chambriard, em evento em Minas. Segundo Lula, a recompra é vista como necessária dentro da estratégia para o setor.

O assunto vem sendo ventilado desde o início da atual gestão do presidente Lula. Em 2024, sob a gestão do então presidente Jean Paul Prates, a Petrobras deu início às negociações com o presidente do conselho de administração do Mubadala Capital. Estava em discussão uma contrapartida para um retorno da Petrobras à refinaria, que seria uma composição para auxiliar os investimentos do fundo árabe no setor de bicombustíveis. A Mubadala Capital, através da Acelen, investirá até R$ 15 bilhões para a implantação de uma biorrefinaria na Bahia, para produção de diesel verde e combustível de aviação sustentável.

A refinaria de Mataripe, que é a segunda maior do País, foi privatizada no fim de 2021, vendida por US$ 1,55 bilhão, valor considerado abaixo da expectativa do mercado. Ela tem capacidade de processar 333 mil barris por dia. Seus ativos incluem quatro terminais de armazenamento e oleodutos, com 669 km de extensão.

A Petrobras e a Acelen não comentaram sobre o assunto.