Mercado de leite e derivados espera produção recorde e preços em queda em 2026

Redação
19/02/2026 12:00
Lacteos – Foto: Luísa Berg/Embrapa

A produção do leite alcançou um patamar histórico, em 2025, com crescimento estimado em 7,2% em relação a 2024. As perspectivas para 2026 já se desenham. O mercado global de lácteos inicia o ano com oferta elevada, impulsionada por aumentos observados nos principais produtores mundiais. A sobreoferta de produtos no mercado brasileiro resulta em quedas constantes no preço médio do leite e seus derivados.

Dados do Centro de Inteligência do Leite (Cileite/Embrapa) indicam que em dezembro de 2025 o preço chegou a R$1,99 por litro de leite, o que representou uma queda de 22,6% em relação aos 12 meses anteriores. Por outro lado, o preço pago pelo consumidor na cesta de lácteos (composta por leite longa vida, queijo, iogurte, leite condensado, leite em pó e manteiga) caiu 3,62%.

O pesquisador da Embrapa Gado de Leite Samuel Oliveira afirma que neste início de ano os preços de lácteos no mercado internacional continuam baixos. “Movimentos de alta percebidos no último leilão GDT devem ser percebidos como correções pontuais de preços”, diz.  GDT refere-se a Global Dairy Trade, uma das principais plataformas de comercialização de produtos lácteos do mundo.

Para o produtor nacional, o curto prazo segue desafiador. A alta oferta reduziu o valor pago ao produtor para US$ 0,36/kg. Entretanto, há sinais de ajuste: o mercado spot — no qual as transações comerciais são realizadas com pagamento à vista — começou a reagir, ilustrando um movimento de recuperação no mercado brasileiro. No entanto, a valorização recente do real frente ao dólar pode deixar o produto importado mais competitivo, o que precisa ser acompanhado nos próximos meses.

Além disso, a recuperação dos preços de bezerras e da arroba do boi surge como ponto positivo, gerando renda extra para os produtores na venda de novilhos e descarte de vacas. Outro fator é a aproximação da entressafra, que começa a influenciar a precificação do leite, com viés de recuperação. Em relação ao mercado europeu, o novo acordo entre blocos não parece trazer mudanças drásticas no curto prazo (veja box nesta matéria).

Para 2026, a recomendação de Oliveira é de cautela e planejamento estratégico. O pesquisador alerta que “as transformações no setor são rápidas e quem não acompanhá-las ficará para trás. É preciso buscar o aumento de produtividade e a redução de custos ou a agregação de valor, aproveitando o espaço que o Brasil ainda tem para evoluir em competitividade tecnológica”.