Leilão de baterias deve garantir investimentos em energias renováveis na Bahia

Redação
26/05/2026 12:00
Foto: Fernando Vivas/GOVBA

O Governo Federal publicará nos próximos dias a portaria do primeiro leilão de baterias do Brasil. A medida, considerada estratégica pelo Ministério de Minas e Energia (MME), integra o processo de modernização do setor elétrico e busca ampliar a segurança energética do país diante do avanço acelerado das fontes renováveis. Para a Bahia, que é líder nacional na produção de energias renováveis, a medida é fundamental para garantir os investimentos no setor, que devem ultrapassar R$ 30 bilhões até 2030.

O corte em parques eólicos chega a quase 10% em algumas regiões do estado. Grande parte do desperdício de energia limpa ocorre nos finais de semana ou durante o dia, quando a demanda é menor e a geração atinge níveis máximos. Em 2025, em todo o país, o corte atingiu 20,6% da capacidade das usinas eólicas e solares integradas ao Sistema Integrado (SIN), mais que o dobro dos 9,3% registrados no ano anterior.

Os cortes têm gerado perdas bilionárias na receita dos geradores, resultando em judicialização por parte de empresas do setor. “O armazenamento de energia será peça central para integrar renováveis, reduzir perdas e modernizar o sistema elétrico brasileiro”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao defender a necessidade de ampliar a flexibilidade do sistema diante da expansão das fontes solar, eólica e biomassa.

Para o ministro, o leilão representa um marco para a transição energética brasileira ao combinar inovação tecnológica, estabilidade operacional e fortalecimento da indústria nacional. O certame deve ocorrer ainda no segundo semestre de 2026 e prevê a contratação de sistemas de armazenamento de energia em baterias para atuação no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Silveira ressaltou que o governo realizou uma ampla rodada de debates técnicos internacionais antes da definição do modelo brasileiro. Segundo ele, a experiência internacional demonstrou que projetos de armazenamento geralmente dependem de forte subsídio estatal, cenário diferente do adotado pelo Brasil. “Precisou ser um debate muito profundo para que a gente possa agora, com segurança, lançar o leilão”, afirmou.

O ministro também afirmou que o governo discute mecanismos progressivos de conteúdo local para estimular a cadeia produtiva nacional ligada ao setor de baterias e sistemas de armazenamento. “Nós precisamos fortalecer a indústria nacional”, destacou.

INVESTIMENTOS

O presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), Markus Vlasits, defendeu a importância do leilão de reserva de capacidade com baterias para a segurança e a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro. Ele também destacou o potencial de investimentos associados aos sistemas de armazenamento por baterias (BESS), que podem movimentar cerca de R$ 80 bilhões no Brasil até 2034, além de destravar novos projetos a partir da realização do primeiro leilão dedicado à tecnologia.