
A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) manifestou discordância em relação à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15,0% ao ano. Segundo a entidade, trata-se de uma medida manifestamente equivocada, sobretudo quando a inflação acumulada em 12 meses registra 4,46%, portanto abaixo do teto da meta de inflação, e as próprias projeções do Banco Central apontam para uma desaceleração ainda mais expressiva da inflação ao longo de 2026.
“Tal decisão desconsidera os evidentes sinais de enfraquecimento da atividade econômica, confirmados pelo crescimento de apenas 0,1% no terceiro trimestre. Ignora, igualmente as já graves dificuldades enfrentadas pela indústria brasileira, que convive com custos operacionais em alta, crédito caro e escasso, elevada carga tributária e distorções tarifárias que corroem sua competitividade e comprometem seriamente a geração e a manutenção de empregos”, diz a nota.
A comparação internacional, segundo a Fieb, torna ainda mais evidente o descompasso da política monetária brasileira. O Federal Reserve dos Estados Unidos acaba de promover novo corte de 0,25 ponto percentual, situando sua taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75%. O Banco Central Europeu mantém os juros em 2,15%. Enquanto as principais economias avançadas adotam posturas expansionistas para sustentar a recuperação, o Brasil persiste em uma orientação ultrarrestritiva que inibe investimentos e limita a capacidade de resposta da economia nacional.
O cenário torna-se particularmente alarmante, para a Federação, em um contexto global marcado por incertezas geopolíticas, protecionismo comercial crescente e volatilidade nas cadeias de suprimento — fatores que atingem diretamente a indústria e as exportações. Estados de perfil industrial e exportador, como a Bahia, sofrem consequências desproporcionalmente severas. Nesse ambiente, faz-se imprescindível a adoção de medidas que restaurem a competitividade e incentivem o investimento produtivo.
“Manter a Selic em 15% não é apenas um erro conjuntural: constitui uma escolha que penaliza o trabalho, asfixia o setor produtivo e obstaculiza o desenvolvimento do País. A FIEB alerta que essa taxa de juros elevadíssima representa um dos principais entraves ao crescimento sustentável e conclama o Banco Central a uma imediata revisão de rumo. É imperativo e inadiável o início de um ciclo consistente de redução da taxa Selic. O Brasil não pode mais conviver com uma política monetária que sacrifica o presente e compromete o futuro da nação”, citou.








