Fieb critica proposta da VLI para renovação antecipada de ferrovia baiana

Redação
06/01/2025 12:00
Foto: VLI/Divulgação

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) criticou a proposta VLI, empresa que opera a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), para renovação antecipada da concessão da malha na Bahia. Para a entidade, a solução apresentada pela empresa não interessa ao País, considerando que a FCA é um importante ativo da infraestrutura.

Pela proposta, a concessionária seguiria com a operação da Linha Sul (Aratu/BA a Montes Claros-MG), com um novo formato ainda não conhecido, e o restante da malha, que passa pela Bahia, sentido norte, seria devolvido.

“No caso do trecho da Bahia, a modernização de todos os trechos é essencial para que o Brasil tenha uma opção de baixo custo de movimentação de cargas com o aproveitamento do complexo portuário de Aratu, que está em um dos melhores sítios portuários do mundo”, afirma o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos.

A Federação manifestou, em recente audiência pública realizada em Salvador, que uma solução definitiva para o trecho da Bahia deve condicionar a antecipação da renovação da FCA/VLI e que a operação da FCA na Bahia deve ser mantida em seus três trechos: Sul, Norte e Centro.

“Essa constatação vem do fato de que, a despeito dos graves problemas de manutenção da malha ferroviária no estado, o desenvolvimento econômico da Bahia não parou, tendo ocorrido forte crescimento da mineração, do agronegócio e de várias atividades industriais que hoje necessitam recorrer quase que integralmente ao modal rodoviário, mas que poderiam ser usuários da ferrovia”, pontua Passos.

De acordo com a FIEB, estudos comprovam que há cargas a se transportar pela FCA na Bahia, a exemplo dos três milhões de toneladas/ano de carga mineral no Trecho Sul, e cargas da BAMIN (minério de ferro) da Largo Inc (ferro e vanádio), do sudoeste baiano em direção aos portos na Baía de Todos os Santos (Enseada e Aratu). Adicionalmente, há investimentos de R$ 500 milhões da Magnesita para ampliação da produção e para o transporte ferroviário. Destaca-se também a modernização portuária da Bahia, com investimentos superiores a R$ 2 bilhões nos portos da BTS.

No Trecho Norte serão 7 milhões de toneladas por ano em 2025 e 10 milhões de t/ano em 2045, com potencial de transporte com cargas de madeira, combustíveis e produtos químicos. Já no Trecho Centro serão 20 milhões de t/ano de minério de ferro com o Projeto Tombador Iron. Há ainda investimentos programados para ampliação das cargas da Ferbasa e produtos agrícolas de Juazeiro.

A Federação destaca que, também nesse trecho, está em curso a revitalização da Hidrovia do São Francisco (com investimentos previstos no PAC), que vai permitir o escoamento da produção de grãos do oeste da Bahia e de outros estados do MATOPIBA, levando essas cargas para o porto de Juazeiro e de lá, pela ferrovia, até o porto de Aratu. Portanto, entende-se que a justificativa de falta de cargas não procede. “O que falta são investimentos mínimos na malha ferroviária da Bahia”, conclui.