Empreender vira o 2º maior sonho do brasileiro e mobiliza 42,5 milhões de pessoas

Redação
21/07/2026 12:00
Foto: Reprodução/Sebrae

Ter o próprio negócio deixou de ser apenas uma alternativa de renda para se consolidar como um projeto de vida no Brasil. O empreendedorismo é hoje o segundo maior sonho do brasileiro Global Entrepreneurship Monitor (GEM), com 40%, atrás apenas da compra da casa própria (44%). O levantamento (Base 2025) aponta que 42,5 milhões de pessoas adultas (com 18 a 64 anos) gostariam de ter um negócio próprio em até 3 anos.

Pela primeira vez em treze anos de levantamento, o sonho de “ter o próprio negócio” foi o item que mais avançou no ranking de aspirações do brasileiro. Saltou de 34% para 40% da população adulta em apenas um ano, crescimento de seis pontos percentuais, o maior entre os onze sonhos analisados pela pesquisa. O dado fez o empreendedorismo voltar à segunda posição entre os principais sonhos do país, atrás apenas da casa própria.

O levantamento faz parte da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), considerada o maior estudo sobre empreendedorismo do mundo. No Brasil, a pesquisa é realizada há 26 anos — desde 2000 — e, a partir do ciclo de 2022, passou a ser conduzida pela Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe), em colaboração com o Sebrae. Nesta edição, foram ouvidos 2.350 adultos brasileiros entre junho e agosto de 2025, dentro de uma amostra que envolveu 53 países.

Em números absolutos, o desejo de empreender mobiliza hoje 42,5 milhões de brasileiros que ainda não possuem negócio aberto, mas pretendem abrir uma empresa nos próximos três anos. O contingente coloca o Brasil como o segundo maior país do mundo em número de “empreendedores potenciais”, atrás apenas da Índia, com cerca de 150 milhões de pessoas nessa condição, e à frente de Estados Unidos, Egito e México.

Quando o dado é analisado proporcionalmente, o Brasil aparece entre os países com maior disposição empreendedora — 45% dos brasileiros que ainda não empreendem afirmam que desejam abrir um negócio nos próximos três anos.

O retrato do novo empreendedor brasileiro

A GEM 2025 também ajuda a entender quem está puxando esse movimento. Entre os 26,9 milhões de brasileiros classificados como “empreendedores iniciais” — grupo formado por pessoas com negócios de até três anos e meio de operação —, 60% são homens e 62% se declaram pretos ou pardos, maior proporção dos últimos cinco anos.

O empreendedorismo brasileiro continua fortemente concentrado nas camadas de renda média e baixa. Entre os novos empreendedores, 74% possuem ensino médio ou menos, e mais da metade vive com renda de até três salários mínimos.

Outro dado chama atenção: o avanço dos empreendedores acima dos 45 anos. Hoje, 33,7% dos brasileiros que iniciaram negócios recentemente pertencem a essa faixa etária, a maior participação já registrada pela série histórica da pesquisa.

O movimento sugere a entrada crescente de profissionais mais experientes no empreendedorismo, muitos deles migrando do mercado formal em busca de autonomia, renda própria ou novos projetos de vida.