
A entrada em vigor provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia, no último 1º de maio, dá novo impulso às relações comerciais e institucionais entre os blocos — e encontra na Bahia um terreno fértil para avançar em agendas comuns. É nesse cenário que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realiza desde ontem (4) e até amanhã (6), mais uma edição do programa “Conhecendo a Indústria”, recebendo adidos comerciais da Delegação da União Europeia no Brasil para uma imersão no ambiente industrial baiano.
A Bahia reúne características que dialogam diretamente com as prioridades da União Europeia, especialmente nas áreas de energia limpa, sustentabilidade, inovação tecnológica e desenvolvimento industrial com responsabilidade social. Ao longo da programação, os representantes europeus têm acesso a iniciativas que exemplificam esse alinhamento, desde centros de pesquisa até plantas industriais estratégicas.
A agenda teve início no SENAI Cimatec, em Salvador, um dos principais polos de inovação industrial do país. No local, os visitantes conheceram estruturas de desenvolvimento em robótica, supercomputação, ciência dos materiais e sistemas avançados de saúde — áreas que coincidem com os eixos prioritários de pesquisa e investimento da União Europeia. Em sua apresentação, o diretor executivo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do centro tecnológico, Bruno Caetano, mostrou a estrutura e o funcionamento da instituição, assim como as principais linhas de pesquisa lá desenvolvidas, reforçando que os campi formam um hub tecnológico capaz de apoiar parcerias internacionais em inovação.
Para Maurizio Cellini, chefe da seção comercial da Delegação da União Europeia no Brasil, há uma clara convergência de interesses. Ele destacou que tanto o Brasil quanto a União Europeia prioriza investimentos em energia, sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico. “O acordo que entrou em vigor não é só um acordo comercial, tem um profundo valor político de cooperação, de amizade e de proximidade. E é muito bom ver que, de um ponto de vista das políticas industriais, das políticas da energia, os objetivos são convergentes”.
Vladson Menezes, superintendente executivo FIEB, explicou que a Bahia se destaca pelo potencial em áreas estratégicas para o futuro da indústria global, como a produção de biocombustíveis a partir de biomassa, projetos de hidrogênio verde e exploração de terras raras — insumos críticos para tecnologias limpas. Esse conjunto de ativos posiciona o estado como parceiro relevante para a União Europeia em cadeias produtivas ligadas à descarbonização e à transição energética.
Além de conhecer o SENAI Cimatec, a delegação participou de reunião com Paulo Guimarães, presidente da BahiaInveste (Empresa Baiana de Ativos), que apresentou os principais investimentos negociados para o estado e oportunidades de cooperação.
Nesta terça-feira (05), o grupo percorre indústrias da Região Metropolitana de Salvador, incluindo o Polo de Camaçari, onde estão concentradas atividades químicas, petroquímicas e novos projetos ligados à transição energética. O programa se encerra com a participação da delegação no Seminário “Atração de investimentos como vetor de oportunidades para o desenvolvimento territorial”, na quarta-feira (06), como parte da programação do INDEX, maior evento da indústria do Nordeste.










