
A indústria baiana tem enfrentado dificuldades para encontrar talentos com as competências técnicas exigidas pelo mercado atual. Os desafios são agravados pelo envelhecimento da força de trabalho, pela dificuldade de transferência de conhecimento entre gerações e pela velocidade com que surgem novas tecnologias. Para isso, cresce a importância da aprendizagem industrial como ferramenta estratégica para combater a escassez de mão de obra qualificada.
Durante discussão sobre o tema, promovida pelo Senai Bahia, termos como Inteligência Artificial (IA), ESG, cibersegurança e transformação digital foram destacados como áreas em que a indústria precisa se adaptar mais rapidamente do que tem conseguido. Outro ponto relevante foi o comportamento das novas gerações, que buscam ambientes de trabalho mais colaborativos, flexíveis e inclusivos. Lideranças rígidas, segundo os debatedores, afastam talentos e prejudicam o engajamento das equipes.
“O apagão de mão de obra é uma realidade para nós”. Para enfrentá-lo, a empresa aposta em sucessão e manutenção de talentos. “O jovem aprendiz passou a ser encarado como uma oportunidade para todos. Outras ações incluem turmas presenciais. Tivemos uma especial para 20 operadoras de retroescavadeira formadas pelo SENAI, e todas foram contratadas”, afirmou Luis Henrique Tapia, diretor de Sustentabilidade da Veracel.
O Programa de Aprendizagem Industrial tem representado o primeiro passo para muitos jovens na inserção no mercado de trabalho. Joaquim de Paula Filho, da Agrovale, compartilhou a trajetória da empresa com o programa: de um aproveitamento inferior a 10% dos jovens aprendizes em 2018, saltaram para 30% em 2025, com a meta de alcançar 80%. “Começamos a enxergar o potencial do jovem além da cota. Criamos ações como o Grand Prix, que aumenta o senso de pertencimento e reduz a evasão”, explicou.
Além dos jovens, a Agrovale também foca em incluir outras gerações, promovendo o diálogo com profissionais mais experientes e estimulando ambientes de segurança psicológica, onde erros são permitidos e ideias são bem-vindas. A empresa também busca equilibrar a participação feminina, tendo atingido 33% de mulheres nas oficinas técnicas, com meta de chegar a 50%.
Eliana Lima, da Heineken Alagoinhas, reforçou a importância de cuidar das pessoas. “Pessoas cuidam do nosso negócio, então precisamos cuidar delas. Falamos de felicidade no trabalho e temos medidores para isso.” O projeto de Jovem Aprendiz da empresa forma turmas afirmativas, incluindo mulheres, pessoas com deficiência e, recentemente, profissionais com mais de 50 anos. A primeira turma formou técnicos em Eletrotécnica e Mecânica, com 80% de efetivação. “Misturamos experiências e idades em projetos, isso enriquece muito o ambiente”, disse.










