
A Acelen, empresa de energia do Mubadala Capital, gerou mais de R$ 380 milhões em ganhos operacionais desde o início das operações da companhia, há quatro anos, impulsionada por projetos de inteligência artificial, automação industrial e análise. Com um plano de modernização de cerca de R$ 4 bilhões, a companhia vem ampliando eficiência, confiabilidade operacional e capacidade de resposta por meio da integração entre dados, IA, sensores inteligentes, robótica e sistemas digitais em tempo real.
O avanço posiciona a Refinaria de Mataripe entre os principais cases de inovação e Indústria 4.0 do setor de energia nas Américas, segundo o Gartner, uma das maiores consultorias de pesquisa estratégica em tecnologia do mundo. No Centro Integrado de Manutenção (CIM), por exemplo, o monitoramento contínuo de mais de 1.100 dispositivos com IA reduziu em 53% as intervenções corretivas e ampliou o tempo médio entre falhas para mais de 830 dias.
“A inteligência artificial em Mataripe tem um propósito muito claro: gerar valor real para a operação. Hoje conseguimos atuar de forma preditiva em processos críticos, desde a detecção automática de vazamentos até a otimização do desempenho de catalisadores. Além dos ganhos operacionais, essa transformação fortalece nossa agenda ESG ao reduzir perdas energéticas, emissões e exposição humana ao risco”, afirma Pedro Estrela, vice-presidente de Novos Negócios e Digital da Acelen.
A digitalização também avançou na gestão energética da refinaria. Com uso de “digital twins”, a Acelen simula em tempo real o funcionamento da planta industrial para monitorar consumo e emissões atmosféricas de escopos 1 e 2. A modelagem integrada da malha energética, incluindo vapor, combustíveis e utilidades, gera recomendações operacionais a cada 30 minutos, com potencial estimado de R$ 15 milhões por ano em redução de custos. A companhia também realiza o monitoramento contínuo e em tempo real de emissões de CO₂, NO2, SO₂ e CO, compostos orgânicos voláteis e material particulado, fortalecendo o acompanhamento das metas ambientais da refinaria e a geração dos relatórios conforme a legislação ambiental.
Outro avanço é o uso de câmeras com inteligência artificial e visão computacional para detectar vazamentos nas linhas de vapor. A tecnologia permite identificação até 9 vezes mais rápida do que os processos anteriores e pode reduzir perdas equivalentes a 13,5 mil toneladas de vapor por ano. Além disso, ferramentas de monitoramento térmico e análise de incrustação em trocadores de calor passaram a apoiar decisões de manutenção com base no desempenho real dos equipamentos, aumentando eficiência operacional e reduzindo a necessidade de intervenções não planejadas.
Segurança industrial
A transformação digital vem redefinindo os padrões de segurança ocupacional e operacional da refinaria. Hoje, a Acelen utiliza soluções digitais integradas para auditorias comportamentais, gestão de alarmes, controle de by-pass e análise de risco operacional, ampliando previsibilidade e confiabilidade dos processos.
Outra frente é o uso de IA e IA generativa para aprimorar o processo de Estudo de Perigos e Operabilidade (HAZOP), metodologia usada para identificar riscos operacionais. A partir de bases históricas de análises de risco, dados operacionais e documentação técnica das unidades, o projeto avalia como modelos de linguagem especializados podem apoiar equipes de engenharia na identificação mais rápida de desvios operacionais e cenários de risco. A iniciativa será desenvolvida em parceria com institutos de ciência, tecnologia e startups.
A companhia também ampliou o uso de robótica, drones e termografia em inspeções industriais, reduzindo em 60% a exposição humana em áreas confinadas e aumentando em 44% a disponibilidade operacional da planta. O novo modelo de inspeção de alta precisão reduziu ainda em 30% o tempo das atividades de campo, ampliando eficiência, rastreabilidade e confiabilidade operacional.
O CatalyzeAI, sistema inteligente de monitoramento da unidade de hidrotratamento de diesel U-37, é uma ferramenta que acompanha, em tempo real, o desempenho e a desativação dos catalisadores, permitindo prever seu comportamento operacional e apoiar decisões mais precisas sobre manutenção e performance da unidade.










